A Lei n.º 61/2025, publicada em 22 de outubro e em vigor desde 23 de outubro de 2025, transformou as regras de vistos de trabalho em Portugal, marcando uma reorientação na política migratória do país. As principais alterações incluem a suspensão imediata do visto de procura de trabalho anterior e o consequente cancelamento de agendamentos, a introdução de um novo visto para procura de trabalho qualificado (cuja regulamentação continua pendente) e o fim da prática de turistas solicitarem autorização de residência após a entrada no país, exigindo agora um visto prévio obtido no país de origem. Essas medidas visam atrair talentos especializados e coibir a imigração irregular, impactando diretamente milhares de estrangeiros que planejam viver e trabalhar em Portugal.
Principais alterações da Lei n.º 61/2025 para vistos de trabalho
Portugal tem se consolidado como um destino atrativo, mas a recente legislação reforça a necessidade de compreender as novas diretrizes para uma imigração bem-sucedida.
Fim do visto de procura de trabalho e cancelamento de agendamentos
Uma das mudanças mais significativas é a suspensão imediata da emissão do visto de procura de trabalho, que era amplamente utilizado por cidadãos de países como o Brasil para entrar legalmente em Portugal e buscar emprego. A partir de 23 de outubro de 2025, esta modalidade deixou de existir nos moldes anteriores. Consequentemente, todos os agendamentos previamente marcados para pedidos deste visto foram oficialmente cancelados.
Novo visto para procura de trabalho qualificado: requisitos pendentes
A Lei n.º 61/2025 introduz uma nova categoria: o visto para procura de trabalho qualificado. Este visto visa atrair profissionais com competências técnicas especializadas para o mercado português. No entanto, é crucial destacar que os pedidos para esta nova modalidade só poderão ser apresentados após a sua regulamentação por portaria conjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas de negócios estrangeiros, migrações, educação e trabalho.
Embora os requisitos específicos ainda não estejam definidos, a intenção é focar em profissionais altamente qualificados, o que pode alinhar-se com os critérios do Cartão Azul da União Europeia (EU Blue Card), geralmente exigindo diploma de ensino superior ou experiência profissional relevante.
Restrições à solicitação de residência para turistas (Fim da manifestação de interesse)
Com a nova legislação, encerra-se a prática comum de turistas solicitarem autorização de residência após a entrada em Portugal, conhecida como “manifestação de interesse”. Agora, o foco recai sobre a necessidade de obter um visto válido no país de origem para entrar legalmente em Portugal e, posteriormente, solicitar a residência. Isso significa que a transição de visto de turista para residência tornou-se mais rigorosa, especialmente para profissionais não qualificados que não consigam um emprego formal.
Outros vistos de trabalho válidos em Portugal
Apesar das recentes alterações, outros tipos de vistos de trabalho permanecem como opções viáveis para quem busca imigrar para Portugal:
Visto D1 – Trabalho subordinado
Este visto é destinado a profissionais que já possuem um contrato de trabalho ou uma promessa formal de contrato com uma empresa portuguesa. Os requisitos incluem que o contrato tenha validade mínima de um ano e preveja o pagamento de, pelo menos, um salário mínimo português, que em 2025 é de € 870 mensais. Adicionalmente, é necessária uma declaração do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) atestando que a vaga não foi preenchida por cidadãos portugueses, da União Europeia ou estrangeiros já residentes.
Visto D2 – Empreendedores e trabalhadores autônomos
O visto D2 é ideal para quem pretende investir em Portugal, abrir o próprio negócio ou exercer atividade profissional independente. Para trabalhadores autônomos, exige-se um contrato de prestação de serviços ou uma proposta escrita de contrato. Em ambos os casos, é fundamental comprovar meios financeiros suficientes para se manter no país.
Visto D3 – Atividades altamente qualificadas
Voltado para profissionais com qualificações profissionais elevadas, geralmente com diplomas universitários ou experiência relevante em suas áreas. Abrange setores como engenharia, medicina, ciência, pesquisa e tecnologia, frequentemente ligado ao programa Tech Visa. É necessário possuir um contrato ou promessa de contrato de trabalho.
Visto de nômade digital (Visto D8)
Instituído em 2022, o visto D8 permite que cidadãos de fora da União Europeia/Espaço Econômico Europeu (UE/EEE) trabalhem remotamente para empresas estrangeiras. Os requisitos incluem a comprovação de rendimentos médios mensais auferidos nos últimos três meses, com um valor mínimo equivalente a quatro remunerações mínimas mensais garantidas em Portugal, ou seja, cerca de € 3.480 em 2025. É também exigido comprovante de residência fiscal e um vínculo laboral ou de prestação de serviços remoto.
Documentação comum para vistos de trabalho
Embora os requisitos específicos variem por tipo de visto, a documentação comum geralmente inclui:
- Requerimento em modelo próprio.
- Passaporte original válido, com validade superior em, pelo menos, 3 meses à data prevista para o retorno.
- Duas fotografias 3×4 (tipo passe), recentes e em boas condições de identificação.
- Cópia autenticada do passaporte.
- Certificado de registo criminal do país de origem e de outros países onde o requerente tenha residido por mais de um ano, devidamente apostilado.
- Requerimento para consulta do registo criminal português pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).
- Seguro de viagem válido com cobertura mínima (ou PB4).
- Comprovativo de alojamento em Portugal (termo de responsabilidade, contrato de arrendamento ou comodato).
- Comprovativo da existência de meios de subsistência.
- Título de transporte que assegure o retorno.
- Comprovante de pagamento da taxa do visto.
Impacto da imigração no mercado de trabalho português
Contribuição econômica e demográfica
A população estrangeira em Portugal tem apresentado um crescimento expressivo. No final de dezembro de 2024, residiam no país 1.543.697 cidadãos estrangeiros, um aumento significativo em relação a anos anteriores. A imigração desempenha um papel crucial na sustentabilidade da Segurança Social portuguesa. Em 2024, as contribuições dos imigrantes totalizaram 3,6 mil milhões de euros, gerando um saldo positivo para o sistema de mais de 1,8 mil milhões de euros, evidenciando sua importância econômica para o país.
Perfis e setores de atuação
Contrariando alguns mitos, os estrangeiros frequentemente ocupam funções em setores com escassez de mão de obra. As áreas que mais se beneficiam de suas contribuições incluem hotelaria e restauração, serviços administrativos e de apoio, comércio, construção, agricultura e pesca. Embora os dados mais recentes sobre o nível educacional da população imigrante não sejam desagregados pela AIMA, estatísticas anteriores do INE indicaram que uma parcela significativa, cerca de 30,3% dos imigrantes, possui ensino superior.
Desafios e precariedade laboral
Apesar das contribuições, imigrantes em Portugal ainda enfrentam maior precariedade laboral. A proporção de trabalhadores com contratos temporários em Portugal está entre as mais elevadas da União Europeia, e a estabilidade contratual é um desafio para muitos estrangeiros. Em 2021, os trabalhadores estrangeiros recebiam, em média, menos 94€ mensais do que a média nacional. Além disso, a pobreza e a exclusão social afetam cerca de 31% dos estrangeiros residentes em Portugal, um percentual 11 pontos acima do valor da população portuguesa em 2022.
Conclusão: navegando pelo novo panorama da imigração em Portugal
O processo para obter um visto de trabalho ou residência em Portugal, especialmente com as recentes mudanças introduzidas pela Lei n.º 61/2025, tornou-se mais complexo e exige uma abordagem estratégica e informada. É fundamental que os candidatos compreendam não apenas as novas exigências, mas também as nuances de cada modalidade de visto para evitar atrasos e indeferimentos. Na Mundial Imigração, nossa equipe de advogados especializados em direito migratório português trabalha diretamente com você. Analisamos detalhadamente seu perfil, auxiliamos na preparação da documentação necessária, garantimos a conformidade com a legislação atualizada e acompanhamos cada etapa do processo, transformando um percurso que poderia ser desafiador em um caminho claro e seguro para a realização de seu projeto de vida em Portugal.